HP compra EDS. Mas isso faz algum sentido?

maio 14, 2008

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Hoje foi anunciado que a HP está comprando a EDS. O valor divulgado da compra é de US$ 13.9 bi.

Li algumas notícias dizendo que este movimento da HP tem como objetivo fortalecer a empresa para competir com a IBM. Entretanto, tenho sérias dúvidas se isso terá sucesso. A HP tem muita força na venda de equipamentos, e também presta serviços de manutenção de infra-estrutura. Já a EDS é uma gigante na prestação de serviços de software, tanto na área de manutenção de infra-estrutura como no outsourcing de aplicações, e consultoria de uma maneira geral. Como algumas áreas das empresas claramente se sobrepõem, imagino que muitos empregos serão cortados.

A HP passará a ter uma estrutura gigantesca, mas ainda ficará atrás da IBM em termos de faturamento. Além disso, embora fortaleça a empresa na disputa com a IBM, não fortalece tanto. A IBM tem uma área enorme de produtos de software que a HP continuará não tendo. Será muito difícil para a HP ganhar espaço contra a IBM sem um braço de software forte. Principalmente na área de middleware, onde a IBM está muito forte. E além da IBM, a HP teria que brigar também contra a Oracle neste nicho, depois que ela comprou a BEA.

É bom lembrarmos que a HP não tem lá um bom histórico em compras. A aquisição da Compaq foi bem traumática e não teve custo-beneficio muito bom para a HP. O mercado americano também não reagiu bem a essa compra da EDS. As ações de ambas as empresas caíram razoavelmente, mostrando que a maioria das pessoas do mercado não achou este negócio uma boa idéia para as empresas.

Na minha opinião, a HP após esta compra ainda é uma empresa incompleta para competir com a IBM, Oracle e Sun. Antes dessa compra a HP não era tida como concorrente direta dessas empresas, mas agora ela é. Penso que para a HP ter realmente relevância nessa disputa, ela precisará de um braço forte de middleware, e uma boa pilha de software em geral.

Com o histórico que a empresa tem, duvido que ela se transforme nisso por conta própria. Na minha visão o que faz sentido é a HP comprar mais alguma(s) empresa(s), para conseguir complementar suas ofertas de serviços. Considerando a consolidação atual do mercado, acho que faria sentido que a HP comprasse a Red Hat, levando o JBoss de lambuja. Além disso seria interessante que eles contassem com algum servidor de BD na pilha, já que os concorrentes possuem isso (DB2, Oracle e MySql). Uma ótima opção seria comprar a EnterpriseDB, que oferece uma versão comercial do Postgres, o excepcional BD open source.

De todas as grandes aquisições que rolaram recentemente, esta da HP é a que menos faz sentido, pelo menos atualmente. Dependendo das ações que eles tomarem em seguida, esta compra pode ser uma boa jogada ou um episódio lamentável como a compra da Compaq. Torço para que a HP aumente seus já fortes vínculos com Linux e Open Source e compre a Red Hat para se apresentar firmemente como competidora de peso. E claro, continuo torcendo pelo sucesso do meu estimado Postgres 🙂

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Postgresql x Mysql: a diferença que faz uma estratégia correta

abril 30, 2008

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Ontem fui no Tech Talk de MySql aqui na Globo.com, que me trouxe algumas idéias interessantes e também fomentou algumas discussões. Não vou falar muito sobre o tech talk especificamente, mas sobre uma discussão paralela.

Algumas pessoas sabem da minha preferência pelo Postgres sobre o MySql. Durante a apresentação ontem o Rafael me perguntou porque tanta gente utiliza o MySql e nem tanta gente usa o Postgres. Ele me perguntou isso porque usa o Postgres em alguns projetos e não viu vantagens em utilizar o MySql em vez do Postgres.

Bom, a resposta pra isso na minha opinião vem da diferença de estratégia. Banco por banco, sou mais o Postgres, embora eu considere que em boa parte dos casos, qualquer banco atende aos requisitos. Mas porque então o MySql ganhou bem mais adoção do que o Postgres?

Na minha opinião, o fator principal que levou a isso é que o MySql já há muito tempo oferece instalador nativo para o Windows. O MySql foi lançado em 1996 e começou com suporte apenas a Linux, mas desde 1998 permite instalação nativa no Windows. O Postgres começou como um projeto acadêmico em 1986, mas em 1996 se tornou um projeto open source com participação da comunidade de software livre. Podemos ver que nesta vertente atual de desenvolvimento, ambos estão disponíveis desde 1996. Enquanto o MySql suporta nativamente o Windows desde 1998, no Postgres isso só foi ocorrer em Janeiro de 2005, com o lançamento da versão 8.0. Anteriormente o Postgres só podia ser instalado no Windows com uso do Cygwin, que está longe de ser algo prático.

Considerando os recursos que ambos os bancos ofereceram ao longo de sua história, não restam dúvidas de que o Postgres é historicamente superior tecnicamente, e na minha opinião continua sendo. Entretanto, com a enorme quantidade de desenvolvedores que só utilizavam Windows (what a shame!), o fato de poder rodar o banco de dados na mesma máquina de desenvolvimento tornou o MySql muito mais conveniente para quem precisava de um banco de dados gratuito para suas aplicações.

Quando o Postgres lançou a versão 8.0 em Janeiro de 2005, muitos desenvolvedores já utilizavam o MySql há anos, e com isso sua adoção já estava bem grande. Neste ponto podemos ver claramente a diferença que fez uma estratégia correta. O fato de ser limitado tecnicamente em comparação com o Postgres não impactou o sucesso do MySql, porque durante muitos anos ele foi simplesmente muito mais conveniente para o desenvolvedor.

Atualmente, só vejo chances do Postgres aumentar seu sucesso se for comprado por alguma grande empresa e colocado em uma pilha de produtos interessante. Eu gosto muito do banco, e nos meus projetos pessoais ele é minha opção default. Entretanto, temo que ele nunca saia da sua abrangência atual, pelos erros na estratégia. É uma pena, devido à qualidade do projeto. Mas é muito difícil qualquer mérito técnico sobreviver a uma estratégia perdedora.


IBM investe US$ 10 mi no Postgresql. Mais consolidações à vista?

março 27, 2008

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Essa semana fiquei sabendo pelo blog do Savio Rodrigues que a IBM investiu US$ 10 milhões no EnterpriseDB, uma derivação comercial do Postgresql, mas cujos desenvolvedores atuam no desenvolvimento do produto open source também.

Com isso, até o momento o EnterpriseDB já recebeu no total US$ 37,5 mi, o que é bem próximo dos US$ 39 mi que o MySql havia recebido antes de ser comprado pela Sun. Torço para que isso ajude bastante no desenvolvimento do banco de dados e que eles consigam trazer ainda mais qualidade aos seus produtos. O Postgresql é um banco open source muito maduro e confiável já há muitos anos e o EnterpriseDB adiciona recursos interessantes para grandes empresas. Entre as principais forças do EnterpriseDB está a sua garantia de compatibilidade com código feito para o Oracle. Eles garantem por contrato que a sintaxe SQL, tipos de dados, packages, stored procedures, trigger e views desenvolvidas para o Oracle irão funcionar conforme esperado no EnterpriseDB. Isto sem dúvida é um facilitador para empresas que possuam grandes bases Oracle e queiram progressivamente migrar seus bancos de dados.

Eu usei pela primeira vez o Postgresql no começo de 2003, e sempre o considerei melhor que o Mysql. A principal razão pela qual o Postgres perdeu espaço para o MySql foi o fato de que o Postgres não tinha um instalador nativo para Windows antes da versão 8.0, que saiu em janeiro de 2005. O MySql tinha muito menos funcionalidades e confiabilidade, mas como era fácil utilizá-lo no Windows, sua adoção aumentou rapidamente.

Eu ainda considero o Postgres melhor do que o MySql e ele é o meu banco de dados preferido quando eu tenho a liberdade de escolher. Espero que eles continuem desenvolvendo bastante o produto e recebam mais investimentos. Eles merecem um ótimo lugar no mercado de bancos de dados, e torço para que eles consigam tanto ou mais sucesso que o MySql.

Aproveitando esta discussão, algo que me veio à cabeça diz respeito à consolidação das pilhas de produtos no mercado. Será que faria sentido que a Red Hat comprasse o EnterpriseDB e a Oracle comprasse uma distribuição Linux?

A Sun atualmente possui a pilha completa, indo do sistema operacional até o middleware Java, e inclui um banco de dados (MySql). A IBM não vende mais sistemas operacionais próprios (até onde sei), mas suporta bastante o Linux e tem seu banco de dados e o middleware Java EE.

A Oracle tem tudo menos o sistema operacional, especialmente depois da compra da BEA. A Red Hat tem tudo menos o banco de dados. Ambas fizeram compras significativas no passado. Será que veremos as 2 empresas completando sua pilha de produtos em breve?

Isto é algo que eu gostaria de saber, e seria bem interessante ver como o mercado se comportaria depois de tais movimentos.


Bancos de dados já são commodities?

março 17, 2008

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Nos últimos meses trabalhei em uma boa diversidade de projetos, no trabalho, em projetos pessoais e artigos. Sem motivo nenhum especial, lidei nestes projetos com uma boa variedade de servidores de bancos de dados.

A maioria das coisas que faço no trabalho envolvem o Oracle, mas nos projetos pessoais utilizei o SQL Server, Postgresql, MySql e o Derby. 5 produtos diferentes, cada um com suas particularidades. Este convívio com diferentes bancos de dados me permitiu uma boa análise do momento em que já estamos em relação ao uso dos mesmos.

Na prática, basicamente o que mudava para mim de um BD para o outro era saber qual ferramenta de administração que eu deveria utilizar e qual driver jdbc precisaria baixar. Nos casos em que a camada de persistência era com jdbc diretamente (em vez de mapeamento objeto-relacional), eu precisava também prestar um pouco de atenção com pequenas diferenças na sintaxe SQL de cada um.

Algo que me chamou a atenção quando parei para pensar sobre isso foi que para a maioria dos projetos, qualquer servidor de banco de dados que eu utilizasse me atenderia sem problemas. Em termos de funcionalidades, o que eu preciso em um banco de dados não é nada sofisticado. Eu gosto de tratar do SGBD como um repositório confiável e eficiente para persistência de dados. Prefiro deixar toda a inteligência da aplicação fora do BD. O que eu espero de um bom servidor de BD é que ele mantenha os dados íntegros, ofereça recursos de restrições de integridade, índices, sub-queries e mais algumas funcionalidades nada extraordinárias.

Como falei, não gosto de colocar inteligência no banco de dados, então descarto o uso de stored procedures, triggers e coisas do gênero sempre que possível. A maioria dos SGBDs atuais suporta todos estes recursos que mencionei. Para a maioria das aplicações que desenvolvemos, o Oracle, Sql Server, DB2, Postgres ou MySql sem dúvida servem tranqüilamente. O conjunto de aplicações que tem acessos suficientes para derrubar qualquer um destes servidores é muito pequeno. Se na maioria dos casos qualquer SGBD serve, será que já podemos considerar os bancos de dados como commodities?

É claro que existem aplicações nas quais as exigências sobre o banco de dados são muito críticas. Alguns sistemas usam intensamente o servidor de banco de dados e possuem tabelas com milhões de registros que precisam de uma indexação muito eficiente. Embora talvez seja possível usar perfeitamente o Postgres e o MySql nestes casos, eu tomaria uma postura mais conservadora e só adotaria um dos 2 após diversos testes de carga sobre a aplicação usando eles.

Da mesma forma que existem aplicações que precisam de um servidor de banco de dados extremamente robusto, existem aplicações nas quais a praticidade de uso é o requisito mais importante. Temos por exemplo casos em que utilizar o Derby ou HSQLDB no modo embedded podem ser muito convenientes. É claro que o Derby e o HSQLDB não agüentam a mesma carga que os outros servidores mencionados. Todavia, a capacidade de empacotar o banco de dados dentro da sua aplicação pode ser muito conveniente, e nestes casos o Derby e o HSQLDB não poderiam ser substituídos por nenhum outro desta lista.

Nos casos em que os requisitos de banco de dados não são convencionais, algumas opções podem se mostrar muito mais adequadas do que outras. Entretanto, na maioria das aplicações, a troca de um produto pelo outro não fará muita diferença. Os recursos que realmente precisamos a maior parte do tempo estão disponíveis na maioria dos produtos.

A forte competição imposta pelos BDs open source fez com que os SGBDs comerciais passassem a oferecer versões gratuitas de seus produtos, com algumas limitações de uso. Para enfrentar este novo desafio, o Postgresql e o Mysql foram investindo cada vez mais esforço em seus produtos e hoje já têm uma ampla gama de recursos que antigamente só víamos em produtos comerciais. Com esta evolução do mercado, temos um largo leque de opções para escolher e estimo que em 90% dos casos, qualquer uma das opções atenderá plenamente.

Na minha opinião, isto já é suficiente para classificar os bancos de dados como commodities, na maioria dos casos. Já podemos ir na farmácia e pedir pelo genérico 😉


Atom feeds for enterprise application messaging

janeiro 27, 2008

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In the last months I have studied and worked a lot with web services in general, and more specifically the RESTful ones. I believe we are going through a fast maturation process in this area, and RESTful web services are becoming the preferred choice for many new implementations. Right in the thick of things in this field is the Atom Publishing Protocol. This is the blueprint solution for RESTful web services, and its adoption is growing fast, reaching much broader scope than just blog applications using the Atom Format.The Atom format and AtomPub protocol can both be used for many interesting purposes. This year I’m working on a big refactoring (actually a new implementation) of a widely used Globo.com application. This application (let’s call it Register) is responsible for the creation of new users and provisioning new services to them, among other features.

A nice concept present in the original development is the use of Application Connectors. Through these connectors, other applications get notified of events that happened in the Register application. An example is: when a new subscriber (a paying user) is created, a connector sends the notification to another application in order to create the subscriber’s mailbox in the company’s external mail provider. Another example is: when a user gets provisioned in the blogging service, another connector sends a notification to the blogger application, that does what it needs in order to create the user’s directory and quota on the file server.

Although i like this concept, it currently has some problems. This connector’s invocation is done explicitly by the Register application. The Register application knows that a new subscriber must receive a new mailbox, and it needs to call a given connector to do this. This is my biggest concern with the current implementation. I strongly believe that an application that creates users must not know anything about mailboxes. In the current structure, when a new application ABC must be notified of events in application XYZ, application XYZ must be modified to invoke a new connector. This doesn’t please me at all. Let me explain a solution that pleases me more 😉

To explain my idea, I’ll propose some examples involving Google and its services. As we all know, Google offers several different services, all of which can be accessed using the same Google account. When you register at Google, you receive a mail account. Let’s suppose that Google Register application sends a new entry to an Atom feed every time a new user is created. This way, every user creation is present on the Atom Feed. If an application (for example Google Mail) needs to be notified of the creation of new users, it just needs to subscribe to the Register’s Atom feed.

Let me propose a richer example now. Let’s say Google starts to offer some super cool software development services. If you’re a developer, you can ask them to give you a “development account”. This development account would give you access to a Subversion repository, a Bugzilla project and a MySql database. Each of these would be an independent service offered by them, subject to change at any given time. The activation of “development accounts” could also populate an Atom feed.

This way the Subversion, Bugzilla and MySql services could be subscribers of the feed, doing everything they need when a new development account is activated, in asynchronous manner. The application that activates the development account has no knowledge of any other services. If Google wants to offer new services such as a Maven repository or a Continuous Integration environment, no problem. The new services would just subscribe to the Atom feed and do whatever they need when a new account is activated.

If Google wants to offer a free development account and a non-free account with better features, there could be another Atom feed for the activation of the paying accounts or maybe updates to the same existing feed. The Register application would know only about registrations, and other components could be easily plugged and unplugged from this process, without modifications on the Register application. Ah, and worth mentioning… totally decoupled from any specific platform. I don’t know how to implement any kind of messaging more decoupled than that.

This is much much better than the way our Register application sends notifications currently. And I’ll be pretty happy once we manage to do this, it’ll be so cool!

By the way, these Google’s software development services would be awesome. My friend Bairos kindly provides me Subversion and Trac services, but he doesn’t have Google’s bandwidth 🙂 Let’s hope Google gets to know about this and starts offering these services. It’d be amazing!


Sun compra MySql…

janeiro 16, 2008

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Notícia bombástica no mundo open source. A Sun anunciou hoje no blog do Jonathan Schwartz a compra do MySql, com a promessa de investimentos de US$ 1 bilhão no mesmo.Durante muito tempo eu considerei o PostgreSql uma opção melhor que o MySql, embora este último seja razoavelmente mais popular (por oferecer desde o começo um instalador nativo pro Windows). Entretanto, com esta nova notícia, fica a certeza de que o MySql terá um salto enorme de desenvolvimento e provavelmente irá amadurecer e crescer ainda mais rápido.

Ainda é difícil saber que impacto isto terá no mercado de uma maneira geral, mas podemos esperar um bom progresso do MySql e torcer para que ele continue com seu modelo open source de muito sucesso. Eu particularmente penso que ambas as empresas têm muito a ganhar com esta compra e que isto trará ainda mais força para o movimento open source.

Quando será que alguém vai comprar o excelente PostgreSql também??