Gestão de conhecimento do time

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Eu tenho pensado um pouco sobre isso nos últimos tempos, então decidi falar aqui no blog porque possivelmente muitas pessoas têm questionamentos semelhantes.

Inicialmente vou contextualizar um pouco para depois ficar mais fácil de expôr algumas idéias. Meu time na Globo.com é formado atualmente por 3 desenvolvedores, 1 especialista em client-side e 2 arquitetos de informação (até semana passada eram 3). Temos um backlog de produto enorme, pois a equipe era formada apenas por 2 desenvolvedores antes da minha chegada em Janeiro. O resto do pessoal se juntou ao time em Março.

Uma coisa importante no Scrum (na verdade, em qualquer metodologia hoje em dia) é que os desenvolvedores sejam versáteis, e consigam atuar de várias formas diferentes, mudando de ferramentas, frameworks e linguagens sem problemas. Para que os desenvolvedores consigam fazer isso, é claro que é fundamental que eles estudem bastante e estejam sempre se atualizando, pois as opções de tecnologias disponíveis estão avançando muito rapidamente.

Outra coisa importante é que mais de um desenvolvedor do time seja capaz de realizar qualquer tarefa específica. Isto é importante pelo compartilhamento do conhecimento e para que seja possível lidar tranqüilamente com problemas pessoais, férias, etc. Neste sentido, precisamos pensar muito mais no conhecimento do time do que no conhecimento de indivíduos separadamente.

O que eu quero dizer com isso? Quero dizer que para um time andar bem, as escolhas de tecnologias idealmente devem ser moldadas em torno do time. Com a infinidade de opções que temos de frameworks web, APIs javascript/ajax, linguagens e componentes, não podemos nos dar ao luxo de ficar continuamente acompanhando as novidades e avaliando novas opções. Precisamos fazer algumas escolhas, e avançar com elas. É claro que isso pode e deve ser periodicamente revisto, mas é fundamental escolher algumas opções e se concentrar nelas.

Os 3 desenvolvedores do meu time têm experiência muito mais em Java do que em outras linguagens. Nossas aplicações são todas em Java, embora já estejamos fazendo experimentos com outras linguagens. Entretanto, concordo bastante com um artigo que saiu no InfoQ recentemente, que traz a idéia de que Java pode ser a última grande linguagem. Compartilho da idéia do autor de que provavelmente estaremos nos próximos anos escolhendo linguagens de uma forma semelhante à que escolhíamos frameworks Java nos últimos anos.

Java é uma linguagem de propósito geral. Gosto muito da linguagem e da plataforma. Mas com novas linguagens/frameworks direcionados para problemas específicos, é natural que em alguns nichos Java não seja a melhor opção. Penso que isso está acontecendo com mais força em aplicações web. Novas opções como o Grails, Django e Ruby on Rails oferecem um desenvolvimento muito mais produtivo do que Java em algumas aplicações. Java possui ótimos frameworks web, e já é uma linguagem muito madura. Mas quem já utilizou alguma dessas 3 opções que mencionei já pôde constatar o choque de produtividade delas contra a maioria dos frameworks web Java.

Conversei sobre isso com o resto do time e a minha opinião é de que devemos nos concentrar em torno de um conjunto limitado de opções, para que o time tenha um melhor rendimento. Com isso, o ideal é que o time conheça bem 2 ou talvez 3 frameworks web Java, 1 ou 2 das opções de alta produtividade web, e 1 ou 2 opções de framework javascript/ajax (jQuery por exemplo). As escolhas devem ser feitas pelo time em conjunto, de acordo com as aptidões e conhecimento agregado dos membros.

Trabalhando com um conjunto reduzido de opções, fica muito mais fácil compartilhar o conhecimento dentro da equipe, e conseguimos que os desenvolvedores conheçam bem esses componentes escolhidos e sejam produtivos com eles. Não adianta muito que um dos desenvolvedores saque muito do “melhor framework web da história desse país”, mas só ele conheça esse framework.

É melhor que seja utilizada uma opção que o time de uma maneira geral já conheça e seja produtivo. Pode ser que essa 2a opção não produza flocos tão crocantes como aquele outro framework, mas se é uma boa ferramenta para o problema e o time conhece bem, use essa mesma!

É claro que em algumas situações nós precisamos abrir mão de algo que conhecemos bem para utilizar uma opção que se adequa melhor aos outros membros do time. Vamor supor que um dos desenvolvedores saca muito de Tapestry e considera que ele é o melhor framework web Java. Se os outros 3 desenvolvedores já conhecem bem de JSF, provavelmente a melhor alternativa é que o time use JSF, e aquele desenvolvedor abra mão do Tapestry em favor do JSF. Pode ser que o Tapestry seja melhor tecnicamente do que JSF, mas os resultados têm que ser entregues pelo time, então as escolhas têm que ser feitas em torno das aptidões do time como um todo.

Tendo feito as escolhas de tecnologias, o legal é que os desenvolvedores se revezem com alguma freqüência entre as linhas de atuação, para propagar melhor o conhecimento e o time como um todo amadurecer. Eu por exemplo conheço legal de REST, mas os outros 2 desenvolvedores do time já implementaram alguns serviços e clientes REST, e com certeza têm plena condição de trabalhar em qualquer um dos serviços REST que eu implementei.

Aos poucos estamos aprendendo mais da parte client com o especialista do time, e ele também já está aprendendo um pouco de JSF, e com isso vamos todos amadurecendo. Essa gestão de conhecimento do time deve ser muito bem feita, para que os resultados do time vão melhorando progressivamente sprint após sprint. A decisão de se concentrar em algumas escolhas (mesmo que talvez elas não sejam as melhores tecnicamente) é muito importante para que o time se mantenha produtivo.

Todos gostamos muito de software, e de avaliar novidades. Porém, não somos pesquisadores, somos desenvolvedores comprometidos com resultados. Essa decisão das escolhas do time é muito importante. Nosso tempo de estudo é limitado, portanto precisamos ser pragmáticos e focar nos resultados.

3 respostas para Gestão de conhecimento do time

  1. rober disse:

    Uma das ferramentas da gestão do conhecimento são as Comunidades de prática, onde as pessoas
    compartilham seu conhecimento discutindo novas maneiras de trabalho, técnicas, etc.
    Enfim, se organizações soubessem o que seus funcionários sabem…

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