Precisamos de um descritor de serviços REST?

Maio 14, 2008

Me perguntaram sobre isso na minha apresentação de REST na Globo.com e isso foi assunto de uma discussão interessante hoje no CEJUG. Como é um assunto que pode interessar a bastante gente e eu me interesso muito por web services, resolvi falar mais sobre isso aqui no blog.

Os web services WS-* possuem o WSDL (Web Services Description Language), um artefato amplamente aceito que descreve de forma padrão os serviços da aplicação. Ao especificar no WSDL quais são os schemas XML dos documentos que serão trocados e a cardinalidade precisa de cada elemento, conseguimos garantir que qualquer cliente que entenda o padrão estabelecido será capaz de interpretar os documentos e comunicar-se corretamente com os serviços. Além disto, a maturidade deste padrão traz a vantagem de que já existem geradores de clientes em várias linguagens a partir de um documento WSDL.

Entretanto, WSDL (bem como muita coisa em WS-*) é complexo. Um ser humano que tenha que analisar um WSDL grande perderá um bom tempo para entender o que está descrito no documento. Já REST não tem uma forma padrão de especificar os contratos dos serviços.

Embora a versão 2.0 da especificação WSDL permita descrever web services REST, os principais projetos open source da área como o Apache Abdera, Google Data API, Jersey e o Mule não utilizam esta forma de publicação. Não tenho conhecimento de nenhum projeto publicamente divulgado que faça uso do WSDL 2.0 para descrever serviços REST, e a adoção desta capacidade é baixíssima (se é que existe).

O projeto Jersey oferece opcionalmente o WADL, que é uma forma de descrever serviços REST. Confesso que ainda não olhei o WADL para ver se seria interessante usá-lo. Pelo que sei, entretanto, a adoção dele também é muito baixa.

Existe também o documento de serviços do AtomPub, que é bem interessante. Ele é um documento simples que lista quais são as coleções disponíveis e a localização das mesmas. O documento informa também quais são os MIME types aceitos em cada coleção.

Eu considero interessante que a aplicação ofereça uma interface simples de consulta dos serviços disponíveis. Não é obrigatório, mas quando a aplicação tem uma certa quantidade de clientes é bem legal ter isso para facilitar.

Em dois projetos que eu trabalhei, eu implementei um Servlet simples que listava todas as URIs disponíveis na aplicação, quais métodos HTTP são aceitos em cada uma das URIs e além disso um exemplo de XML manipulado em cada uma das URIs. Isso foi algo que eu achei bom o suficiente, e não tão custoso. Normalmente a documentação de verdade dos serviços fica em algum lugar como uma Wiki, ou uma página qualquer com a descrição detalhada de como interagir com os serviços.

A questão principal é que quando você segue as boas práticas de desenvolvimento REST, os seus serviços ficam muito mais claros para quem precisa se integrar. Por exemplo, eu trabalhei em um projeto crítico de integração com o Google esse ano. Tive que usar várias funcionalidades da Google Data API. A API deles é REST, e encapsula os dados com o formato Atom. Eles não oferecem nenhuma interface semelhante ao WSDL, eles simplesmente têm uma página com a documentação dos serviços.

Como eles seguiram as boas práticas de implementação REST, eu rapidamente aprendi a utilizar a API deles. Os protocolos de comunicação REST são bem semelhantes, e mais simples de entender do que qualquer coisa com WS-*. Pouco mais de 1 hora depois de olhar a documentação deles, eu já estava conseguindo me integrar com eles, com os primeiros exemplos.

O Guilherme fez uma observação interessante durante a discussão disso na minha apresentação no Tech Talk. Quando você segue as boas práticas e implementa um protocolo conciso e claro, de certa forma podemos dizer que a implementação se “auto-documenta”. É algo que podemos traçar um paralelo ao que acontece ao utilizarmos Domain Driven Design. Aproximando a linguagem do código do domínio de negócio, facilitamos a compreensão da aplicação por pessoas que nunca a tinham visto antes. Uma boa arquitetura de web services declarativos (REST) fica muito mais clara do que uma arquitetura de web services imperativos (WS-*). Isto acontece porque com REST o que fica em destaque são os Recursos (que representam conceitos claros do domínio), em vez de Operações.

É claro que as pessoas ainda terão que ler um pouco da documentação, mas como os conceitos em sua maioria já estarão “no sangue”, as dificuldades iniciais são menores do que com WS-*.

O Felipe Gaúcho comentou no CEJUG sobre a capacidade de gerar clientes automatizados com WSDL. Embora isso seja verdade, no meu ponto de vista isso é meio que um mito. Não conheço ninguém que faça integrações automatizadas sem depender de seres humanos. A motivação disso é clara. Integrações envolvem regras de negócio, e ninguém que eu conheço faz negócios automáticos, sem definir as regras :)

Existia o mito de que as aplicações “descobririam” serviços automaticamente com UDDI e se virariam para fazer as integrações, gerando os clientes automaticamente. Embora isso seja tecnicamente possível, na prática isso pra mim é uma viagem que serviria mais para desenvolvimento de inteligência artificial do que para web services propriamente :)

Embora esta precisão do WSDL seja um ponto positivo, eu tenho a convicção de que a clareza que temos ao usar REST supera e muito as vantagens de termos geradores de clientes automatizados. Quanto a WS-* x REST de uma maneira mais geral, tem uma frase que eu gosto de utilizar. WS-* é apenas overhead a não ser que você tenha informações relevantes nos seus cabeçalhos SOAP. Se você nunca se preocupou MUITO (veja bem, MUITO) com o que está indo nos seu cabeçalhos SOAP, provavelmente um protocolo REST seria mais interessante.

Tem uma opinião a respeito disso? Estou ansioso para conhecê-la! :)


HP compra EDS. Mas isso faz algum sentido?

Maio 14, 2008

Hoje foi anunciado que a HP está comprando a EDS. O valor divulgado da compra é de US$ 13.9 bi.

Li algumas notícias dizendo que este movimento da HP tem como objetivo fortalecer a empresa para competir com a IBM. Entretanto, tenho sérias dúvidas se isso terá sucesso. A HP tem muita força na venda de equipamentos, e também presta serviços de manutenção de infra-estrutura. Já a EDS é uma gigante na prestação de serviços de software, tanto na área de manutenção de infra-estrutura como no outsourcing de aplicações, e consultoria de uma maneira geral. Como algumas áreas das empresas claramente se sobrepõem, imagino que muitos empregos serão cortados.

A HP passará a ter uma estrutura gigantesca, mas ainda ficará atrás da IBM em termos de faturamento. Além disso, embora fortaleça a empresa na disputa com a IBM, não fortalece tanto. A IBM tem uma área enorme de produtos de software que a HP continuará não tendo. Será muito difícil para a HP ganhar espaço contra a IBM sem um braço de software forte. Principalmente na área de middleware, onde a IBM está muito forte. E além da IBM, a HP teria que brigar também contra a Oracle neste nicho, depois que ela comprou a BEA.

É bom lembrarmos que a HP não tem lá um bom histórico em compras. A aquisição da Compaq foi bem traumática e não teve custo-beneficio muito bom para a HP. O mercado americano também não reagiu bem a essa compra da EDS. As ações de ambas as empresas caíram razoavelmente, mostrando que a maioria das pessoas do mercado não achou este negócio uma boa idéia para as empresas.

Na minha opinião, a HP após esta compra ainda é uma empresa incompleta para competir com a IBM, Oracle e Sun. Antes dessa compra a HP não era tida como concorrente direta dessas empresas, mas agora ela é. Penso que para a HP ter realmente relevância nessa disputa, ela precisará de um braço forte de middleware, e uma boa pilha de software em geral.

Com o histórico que a empresa tem, duvido que ela se transforme nisso por conta própria. Na minha visão o que faz sentido é a HP comprar mais alguma(s) empresa(s), para conseguir complementar suas ofertas de serviços. Considerando a consolidação atual do mercado, acho que faria sentido que a HP comprasse a Red Hat, levando o JBoss de lambuja. Além disso seria interessante que eles contassem com algum servidor de BD na pilha, já que os concorrentes possuem isso (DB2, Oracle e MySql). Uma ótima opção seria comprar a EnterpriseDB, que oferece uma versão comercial do Postgres, o excepcional BD open source.

De todas as grandes aquisições que rolaram recentemente, esta da HP é a que menos faz sentido, pelo menos atualmente. Dependendo das ações que eles tomarem em seguida, esta compra pode ser uma boa jogada ou um episódio lamentável como a compra da Compaq. Torço para que a HP aumente seus já fortes vínculos com Linux e Open Source e compre a Red Hat para se apresentar firmemente como competidora de peso. E claro, continuo torcendo pelo sucesso do meu estimado Postgres :)


Cidade não é problema. Cidade é solução

Maio 11, 2008

Este fim de semana vi mais um vídeo muito interessante no TED. O vídeo em questão foi uma apresentação do Jaime Lerner, sobre como transformar e melhorar cidades. A frase título do post é de autoria dele.

Eu já conhecia o trabalho que o Jaime Lerner fez em Curitiba, mas sem tantos detalhes. Assistir à sua apresentação falando das idéias por trás dessa reestruturação da cidade foi muito interessante. Eu já falei anteriormente que estou muito desanimado com o Rio de Janeiro, e desejo morar em Curitiba no futuro de médio prazo.

Lerner falou de algumas coisas muito importantes na organização das cidades atualmente. A necessidade de um transporte público de qualidade é gritante. Curitiba conta com uma rede de transportes muito eficiente, com ônibus do tipo “sanfona”, que comportam mais de 200 passageiros. Além disso os pontos de ônibus foram projetados para se encaixar com os ônibus, fazendo com que os pontos sejam semelhantes a paradas de metrô. Isto certamente contribuiu para um trânsito muito mais eficiente do que temos no Rio de Janeiro e em São Paulo, e facilita muito a vida das pessoas. Além disso, reduz bastante a poluição, pela diminuição de carros em circulação.

Outra coisa interessante que ele mencionou foi o sacrifício que muitas pessoas têm que fazer nas grandes cidades por morar muito longe do local onde trabalham ou estudam. Isto toma muito tempo diariamente das pessoas e somando-se isso ao cansaço, não sobra tempo para muita coisa. Aqui no Rio conheço algumas pessoas que fazem verdadeiras maratonas diárias. O Aspira (estagiário da minha equipe) passa cerca de 6 horas por dia se deslocando, pois todos os dias vai para a faculdade, estágio e então para casa, e todos os trechos são longos. Isto é o tipo da aberração que ocorre bastante em cidades grandes com trânsito complicado, e certamente prejudica bastante as pessoas.

Para finalizar, ele comentou que Curitiba é a cidade onde mais se faz coleta seletiva de lixo no mundo, com mais de 70% do lixo sendo corretamente separado. Como ele conseguiu isso? Focando bastante atenção da campanha nas crianças, que logo aprendiam este novo processo e então educavam os seus pais. Muito inteligente e muito educativo.

Pouco depois de assistir à apresentação, fui descobrir que a idéia do “Metrô na superfície” no Rio surgiu em uma consultoria que ele prestou à cidade/estado em 2006. Sem dúvida é uma boa idéia e tem ajudado no controle do tráfego intenso que temos.

Os paranaenses tiveram a felicidade de contar com o Jaime Lerner como prefeito de Curitiba por 3 vezes e como governador do Paraná por 2 vezes. Sua contribuição para a evolução do estado foi enorme, e certamente a prosperidade oriunda do seu governo é responsável por fazer de Curitiba a cidade onde pretendo morar.

Infelizmente isso me traz também à cabeça uma lembrança triste. A incrível sucessão de administrações corruptas e incompetentes que temos no Rio nas últimas 2 décadas transformou nossa cidade querida em um lugar caótico. Um palco de batalhas sangrentas do crime contra a polícia. Um lugar onde a educação está em uma situação péssima (enquanto Curitiba é a melhor cidade do Brasil em educação). Um lugar onde a dengue está atacando com cada vez mais força. Onde já foi alertado que o mesmo mosquito trará também a febre amarela. Onde o trânsito está caótico e o custo imobiliário está absurdo.

Vamos torcer para que no futuro um milagre nos envie alguém como o Jaime Lerner para salvar o Rio de Janeiro. Enquanto isso eu continuo meus planos para me mudar para Curitiba, por onde ele já passou.


Microsoft entrando em colapso

Maio 8, 2008

O Antônio Carlos publicou um post muito interessante. Eu já venho há algum tempo acompanhando as dificuldades da Microsoft nos últimos anos, e é impressionante como eles estão com um caminho espinhoso pela frente.

Já há fortes sinais de que a Microsoft lançará o Windows 7 ano que vem, após sérias dificuldades com o Vista. É verdade que o Vista está conseguindo vender alguma coisa, mas é bem menos do que a Microsoft esperava. Além disso, recentemente li que o market share do Windows XP se manteve praticamente constante, e quem caiu na verdade foi o Windows 2000.

Depois que o Antônio e o Azamba me falaram no Tech Talk da situação sofrível do Silverlight, fiquei com a impressão de que a Microsoft está mesmo em apuros sérios. O IE aos poucos está cedendo mais espaço pro FF, Windows Media já está numa situação crítica perante o Flash Video e em praticamente todas as frentes da Microsoft eles estão com dificuldades.

A Gartner durante muito tempo era conhecida por previsões sempre favoráveis à Microsoft (até mais do que deveria), mas isso já está mudando. Recentemente eles disseram que o Windows está entrando em colapso, e que a situação está insustentável. Até o Office que sempre foi a estrela do sucesso da empresa está tendo algumas complicações. A Microsoft investiu nesse formato XML “aberto” em vez de apoiar as iniciativas do Open Document. Pois recentemente foram feitos testes dos arquivos do Office 2007 contra o formato “XML aberto” da MS e milhares de incompatibilidades foram detectadas.

A nova febre do momento na internet é o crescimento das redes sociais, e a Microsoft está tendo um papel pífio nisso. Diversos serviços enormes de redes sociais estão surgindo, e a saída pra Microsoft provavelmente será comprar algumas dessas iniciativas.

Antônio, seu questionamento foi muito feliz. Acredito que a resposta para a real descida da Microsoft como um todo está na pergunta que você fez. Por quanto tempo o desktop ainda será tão relevante como é hoje? A Microsoft certamente reza para que seja para sempre :)


Obina, o iluminado

Maio 5, 2008

Obina, o iluminado

Gostando ou não do simpático baiano de Vera Cruz, é inegável que ele tem estrela. Nos 2 jogos da decisão do Campeonato Carioca de 2008, Obina entrou somente no 2º tempo, mas marcou 3 dos 4 gols do Flamengo na decisão.

É incrível que por mais que em alguns jogos ele brigue com a bola, na hora da decisão a estrela dele brilha e ele sempre marca gols importantíssimos. Hoje não foi diferente e ele teve papel fundamental na conquista do 30º título estadual do Flamengo.

Podemos ver o Obina como uma versão moderna do Fio Maravilha. Futebol pode não ter muito, mas estrela e carisma não faltam :)

O Obina já me irritou profundamente, e já o xinguei muito. Mas depois de tantos gols decisivos, esse baiano movido a acarajé e vatapá conquistou espaço definitivo na história do Flamengo. Depois de hoje você pode chutar de canela à vontade Obina, você tem crédito :)

Abaixo o vídeo com os gols da final:


Enquanto isso, a Microsoft desiste de comprar o Yahoo

Maio 4, 2008

Em uma nota divulgada publicamente ontem, a Microsoft anunciou que desistiu da idéia de comprar o Yahoo.

As duas empresas não chegaram a um consenso financeiro, mesmo após a Microsoft aumentar sua oferta inicial em cerca de US$ 5 bi. Aparentemente a diferença de cultura entre as empresas é tão grande que o Yahoo exigiu um valor muito alto pela compra, para recompensar seus acionistas.

O Yahoo chegou até mesmo a flertar com uma possível parceria com o Google para serviços de busca, na qual o Yahoo retornaria links patrocinados pelo Google em uma parcela pequena de resultados. Isto valeria apenas nos Estados Unidos e seria um teste para ver o quão interessante isso poderia ser para as duas empresas.

Fazendo parceria ou não com o Google, o fato é que o Yahoo recusou as propostas da Microsoft. Os acionistas certamente temiam pela perda da identidade da companhia, e preferiram arriscar e continuar tendo competir de forma individual.

Depois dessa decisão, ficará muito difícil para a gigante de Redmond a disputa com o Google, considerando a enorme penetração que este está conquistando. A briga por receitas de propaganda ficará muito difícil para a gigante de Redmond, e acredito que a única forma de lutar contra isso seja a oferta de serviços web mais interessantes, para conquistar audiência. O ponto positivo para nós é que certamente esta competição trará mais e mais novidades interessantes para usarmos na internet.


Google também na TV, rádio, mídia impressa

Maio 4, 2008

Fiquei sabendo pelo post do Antônio Carlos que o Google lançou recentemente o TV Ads. Esta é uma ferramenta muito interessante e flexível de fazer propaganda na TV.

Eles disponibilizam uma aplicação no “self-service” que permite que pessoas interessadas em veicular propaganda na TV façam isso de forma ágil e prática. Você consegue criar uma campanha, definir seu público-alvo, especificar canais e programas e horários durante os quais a campanha será exibida e dizer o quanto você pretende gastar com isso. A aplicação trará várias sugestões e permitirá que você envie a mídia da propaganda para iniciar a veiculação rapidamente nestes vários canais.

Esta é uma iniciativa inovadora e potencialmente muito poderosa para o Google. Além disso, eles também lançaram o Google Audio Ads e o Print Ads. É isso mesmo: eles já dominam a propaganda na internet, e agora lançam ferramentas inovadoras para tentar ganhar espaço na propaganda feita na TV, rádio e na mídia impressa. Fiquei curioso e fui ver a lista de canais e jornais que já participam disso. A maioria dos canais de TV americanos já permite propaganda através do Google TV Ads e a maioria dos jornais também. Entre os jornais estão por exemplo o New York Times, Los Angeles Times, Washington Post e muitos outros. Além disso, inúmeros jornais pequenos (porém com público muito mais específico, direcionado) já fazem parte do programa também. Muito interessante isso.

Já sabíamos previamente da iniciativa do Google de entrar firme no mercado de dispositivos móveis. Agora eles aumentam drasticamente o alcance das ferramentas de propaganda deles. Para completar, também está nos planos do Google a entrada nos set-top boxes de TV digital. Se essas iniciativas forem bem-sucedidas (e certamente tem boas chances), o Google conseguirá uma impressionante penetração no mercado. Será mais poder do que a Microsoft já teve um dia. E tudo isso com um modelo de negócios que traz muito mais simpatia do que a Microsoft.

Difícil saber qual (e se existirá) o limite para eles. Realmente impressionante. Quando será que isso chegará ao Brasil??


Postgresql x Mysql: a diferença que faz uma estratégia correta

Abril 30, 2008

Ontem fui no Tech Talk de MySql aqui na Globo.com, que me trouxe algumas idéias interessantes e também fomentou algumas discussões. Não vou falar muito sobre o tech talk especificamente, mas sobre uma discussão paralela.

Algumas pessoas sabem da minha preferência pelo Postgres sobre o MySql. Durante a apresentação ontem o Rafael me perguntou porque tanta gente utiliza o MySql e nem tanta gente usa o Postgres. Ele me perguntou isso porque usa o Postgres em alguns projetos e não viu vantagens em utilizar o MySql em vez do Postgres.

Bom, a resposta pra isso na minha opinião vem da diferença de estratégia. Banco por banco, sou mais o Postgres, embora eu considere que em boa parte dos casos, qualquer banco atende aos requisitos. Mas porque então o MySql ganhou bem mais adoção do que o Postgres?

Na minha opinião, o fator principal que levou a isso é que o MySql já há muito tempo oferece instalador nativo para o Windows. O MySql foi lançado em 1996 e começou com suporte apenas a Linux, mas desde 1998 permite instalação nativa no Windows. O Postgres começou como um projeto acadêmico em 1986, mas em 1996 se tornou um projeto open source com participação da comunidade de software livre. Podemos ver que nesta vertente atual de desenvolvimento, ambos estão disponíveis desde 1996. Enquanto o MySql suporta nativamente o Windows desde 1998, no Postgres isso só foi ocorrer em Janeiro de 2005, com o lançamento da versão 8.0. Anteriormente o Postgres só podia ser instalado no Windows com uso do Cygwin, que está longe de ser algo prático.

Considerando os recursos que ambos os bancos ofereceram ao longo de sua história, não restam dúvidas de que o Postgres é historicamente superior tecnicamente, e na minha opinião continua sendo. Entretanto, com a enorme quantidade de desenvolvedores que só utilizavam Windows (what a shame!), o fato de poder rodar o banco de dados na mesma máquina de desenvolvimento tornou o MySql muito mais conveniente para quem precisava de um banco de dados gratuito para suas aplicações.

Quando o Postgres lançou a versão 8.0 em Janeiro de 2005, muitos desenvolvedores já utilizavam o MySql há anos, e com isso sua adoção já estava bem grande. Neste ponto podemos ver claramente a diferença que fez uma estratégia correta. O fato de ser limitado tecnicamente em comparação com o Postgres não impactou o sucesso do MySql, porque durante muitos anos ele foi simplesmente muito mais conveniente para o desenvolvedor.

Atualmente, só vejo chances do Postgres aumentar seu sucesso se for comprado por alguma grande empresa e colocado em uma pilha de produtos interessante. Eu gosto muito do banco, e nos meus projetos pessoais ele é minha opção default. Entretanto, temo que ele nunca saia da sua abrangência atual, pelos erros na estratégia. É uma pena, devido à qualidade do projeto. Mas é muito difícil qualquer mérito técnico sobreviver a uma estratégia perdedora.


Apenas uma vez

Abril 28, 2008

Às vezes vamos no cinema já sabendo bastante sobre um filme. Nessas vezes, provavelmente já nutrimos uma certa expectativa sobre o conteúdo do mesmo, e já temos uma idéia do que esperar.

Outras vezes vamos ver filmes sem muito compromisso. Ontem (sábado) fui ver um filme romeno, chamado “Irina Palm“, que até foi legal. Mas o melhor foi ter visto o cartaz de “Apenas uma vez” (”Once“, no título original), que fui ver hoje. Eu tinha visto apenas o cartaz, mas ele me despertou a curiosidade e então fui vê-lo hoje. Sem nenhuma expectativa prévia, e sem ter muita idéia do que iria ver.

Bom, o filme é excepcional. Excepcional e diferente. Altamente musical e cativante. Cativante de tal forma que eu já estou viciado nas músicas e não tiro o filme da cabeça. Além da satisfação pelo filme, agora tenho várias novas músicas legais pra escutar.

O filme é irlandês e nele um músico irlandês (Glen Hansard) conhece uma jovem tcheca (Marketa Irglova) e então eles começam a se conhecer e tocar música juntos. Não vou falar mais do que isso para não estragar a supresa de quem quiser assistir ao filme.

O tal músico é extremamente talentoso, e as músicas são muito legais. Depois de chegar em casa eu fui pesquisar sobre o filme e descobri que o músico e a jovem tcheca são músicos na vida real, e tocam juntos em turnê e tudo. Eles na verdade não são atores, são músicos mesmo. Todas as músicas do filme são compostas pelo Glen Hansard, e a interpretação delas no filme contagia bastante.

Eles ganharam o Oscar de Melhor Canção original este ano, e devo dizer que fiquei satisfeito em saber, pois foi muito merecido. Para quem quiser dar uma olhada, estou colocando abaixo um vídeo do filme. Altamente recomendado!!

E esta música abaixo é muito legal também :)


Kubuntu 8.04: primeiras impressões

Abril 27, 2008

Neste fim de semana eu atualizei o Linux do meu desktop em casa, instalando o Kubuntu 8.04 (Hardy Heron). Inicialmente eu instalei a versão com o KDE 4, pois já é a versão 4.0.3, e imaginei que já poderia usar tranqüilamente.

De mais chato, encontrei apenas um problema para instalar extensões do Firefox. Nenhuma extensão estava sendo instalada com sucesso, devido a um problema com o Extension Manager do Firefox. Pelo que pude ver, o problema é específico do pacote do Firefox que veio com o Kubuntu, pois ele estava configurado para utilizar um diretório de extensões incorreto. Eu consegui resolver o problema baixando o Firefox do site oficial e instalando-o por fora do gerenciador de pacotes.

O que me incomodou mais não foi nem isso, foram questões referentes ao KDE 4 em si. Pelo que pude ler depois, o pessoal do KDE não está recomendando ainda esta versão 4.0.x para os usuários em massa. Eles estão recomendando esperar pela versão 4.1.

O motivo por trás disso eu pude constatar. Diversas funcionalidades básicas de configuração que existem no KDE 3 simplesmente não foram implementadas no KDE 4 ainda. Por exemplo, eu não conseguia diminuir a fonte do relógio, e quando eu reduzi a altura da barra de tarefas do KDE, o relógio simplesmente ficou cortado no meio. Eu também não consegui criar atalhos na barra de “Quick Launch”, o que me incomodou bastante.

Um último detalhe que eu me lembro é que tanto o Dolphin como o Konqueror estavam com problemas para guardar as preferências de gerenciamento de arquivos. Eu gosto de deixar o modo de visualização de arquivos e pastas como “Lista Detalhada” e sempre ordeno a lista por tipo de arquivo. Por algum motivo que eu não cheguei a descobrir, eles não estavam salvando corretamente esta minha escolha e sempre que eu abria uma nova pasta, a exibição voltava para o formato “Ícones”, com alguma ordenação qualquer.

Depois de pouco mais de uma hora me irritando com estas limitações do KDE 4, resolvi instalar a versão do Kubuntu com o KDE 3 (3.5.9 especificamente). Esta versão já é bem melhor, totalmente estável e personalizável. Não tive absolutamente problema algum e tudo funcionou corretamente e de forma fácil, como já me acostumei em relação ao Kubuntu.

Eu recentemente usei em casa o Mepis e o PcLinuxOS, mas a verdade é que a melhor distribuição com KDE é o Kubuntu. No meu notebook eu ainda estou com o Mepis, e gosto bastante da distro. Não pretendo trocar não. Entretanto, a distribuição que mais recomendo é mesmo o Kubuntu e esta versão 8.04 está rodando redondinha aqui em casa.

Quanto ao KDE 4, embora ele seja bastante promissor, ele ainda não está adequado para a maioria dos usuários. Eu gosto bem mais do KDE do que do Gnome, e estou certo de que em breve o KDE 4 será a melhor opção disponível. Nos próximos meses, entretanto, recomendo a confiabilidade do KDE 3.5.x.